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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Bispo Renato Andrade - Secretário do Entorno de Brasília fala sobre os planos do GDF para a região

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Bispo Renato Andrade, Secretário do Entorno de Brasília
Renato Andrade - Secretário do Entorno   
Dezenove cidades goianas e três mineiras compõem o Entorno do Distrito Federal. Em um ritmo de crescimento que chega a quase 4% ao ano, de acordo com dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região é uma das mais pobres e violentas do país. 


As estatísticas preocupantes levaram à criação de uma secretaria específica para a área, a primeira na história do Distrito Federal. À frente da pasta, Bispo Renato Andrade admite que o trabalho não é fácil, depende de articulação e de uma cooperação que envolve estados e governo federal. 

Otimista, ele prevê um novo rumo e mais tranquilidade para o Entorno em 2012 e analisa os primeiros meses de governo como estratégicos para um plano de ação que envolve combate à violência e melhoria no transporte público. “Sei que as expectativas são grandes, mas não podemos fazer tudo de uma hora para outra. É preciso planejamento”, pondera. 
 
Mineiro de Patos de Minas, ex-engraxate, office boy e servidor público federal, o título de “bispo” vem da vocação evangélica, exercida há 29 anos. Ex-presidente do Conselho Gestor do Hospital de Base do Distrito Federal e ex-membro do Conselho Distrital dos Direitos da Pessoa Humana, nesta conversa Bispo Renato Andrade comenta o Plano deDesenvolvimento do Entorno, também chamado de PAC do Entorno, que deverá ser lançado no começo do próximo ano. No projeto, estratégias para o transporte e, principalmente, combate à violência e ao tráfico de drogas.

Como o senhor avalia a importância da Secretária de Entorno, já que é a primeira vez que a região tem um órgão específico?
É uma secretaria importantíssima, porque tudo o que acontece no Entorno tem reflexo no Distrito Federal, e a avaliação que tenho deste primeiro ano é extremamente positiva. Tivemos a oportunidade de visitar praticamente todos os municípios da região em audiências públicas. Ouvimos os prefeitos, a sociedade civil organizada, os vereadores e, desse contato, tiramos ideias para o Plano de Desenvolvimento do Entorno (PDE), que deverá ser lançado no início de 2012 pela presidenta Dilma Rousseff. A partir daí foram geradas demandas muito importantes tanto para o DF quanto para o Entorno. 

O senhor pode citar exemplos dessas demandas?
Uma delas é a revitalização da ferrovia Rodoferroviária – Luziânia. No próximo dia 15, deveremos fazer o acordo para a elaboração dos estudos de viabilidade dessa linha de passageiros, o que já aliviaria em 40% a demanda dos ônibus e outros veículos que chegam e saem do Distrito Federal e que têm como origem a região do Entorno. Como a demanda é maior no Entorno Sul (Valparaíso de Goiás, Novo Gama, Cristalina, Cidade Ocidental e Luziânia), cerca de 600 ônibus deixariam de circular por dia no DF.

Por falar em transporte público, como solucionar ou pelo menos aliviar o problema das diferenças de preços e qualidade dos serviços, já que são modelos diferentes de licitação para o Distrito Federal e Goiás?
O problema acabará quanto tivermos a linha férrea. Mas hoje, infelizmente, ainda é um entrave, porque são três sistemas que operam no transporte do Entorno: o municipal, o interurbano e o interestadual. Para falar a verdade, nem o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) acharam uma solução para o problema. 

Além desses dois órgãos, o debate se estende às secretarias de Transporte do Distrito Federal e de Goiás e ainda não temos um modelo ideal. Veja bem: o Ministério Público Federal determinou que fosse feita a licitação, mas isso não resolve o problema, porque o atual modelo, que hoje é problemático, será prorrogado por mais dez ou vinte anos. 

E qual a proposta para o transporte?
A secretaria do Entorno propõe o sistema de integração, com Goiás fazendo um plano de transporte urbano. Em nossa proposta, haveria os terminais de integração com tarifa única nas divisas de estado. A partir daí, o cidadão pagaria um preço único na passagem até a Rodoferroviária. Isso está proposto no PDE. 

O que mais se pode adiantar no Plano de Desenvolvimento do Entorno?
São 25 projetos, como o anel viário para desviar o tráfego de veículos pesados que passam por dentro do Distrito Federal, o término do hospital de Valparaíso e a construção de onze Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Mas ainda dependemos de um acordo com o estado de Goiás. 

É importante destacar que não podemos intervir sozinhos, não temos autonomia. Uma boa notícia é que em breve teremos no Entorno a implantação de Unidades de Polícias Pacificadoras nos moldes das que foram instaladas nas favelas do Rio de Janeiro.

Bom o senhor tocar no assunto, já que o tema violência é um dos pontos chave quando se fala em Entorno...
Sim, e é urgente resolver esta situação. A redução dos altos índices de violência na região do Entorno depende do esforço concentrado dos governos Federal, do DF e de Goiás. Disso não temos dúvidas. Há pouco mais de duas semanas tivemos um ato público em Luziânia para o lançamento daCampanha Nacional de Desarmamento no Entorno, além de um colóquio para discutire propor soluções para o tema.

O que podemos garantir é que, em breve, teremos uma operação conjunta entre as polícias para a redução da criminalidade. Mas é bom lembrar que o Distrito Federal não pode fazer muito, porque são estados federados com regimes distintos, com polícias que têm técnicas e planos estratégicos diferentes de ação. Temos também a questão jurídica: não podemos enviar policiais do Distrito Federal para o estado de Goiás.
Mas já está no Ministério da Justiça uma proposta de parceria assinada pelo DF, por Goiás e pelo próprio Ministério criando uma estratégia única de ação para o Entorno. Nós entendemos que o combate à violência não é restrito à polícia na rua ou à construção de delegacias. 

Esse processo envolve a reforma de escolas, fazendo com que crianças e adolescentes se dediquem mais ao ambiente escolar e também à geração de emprego e renda, instalando grandes empresas nas cidades do Entorno. Outra questão urgente é o combate ao tráfico de drogas, ao crack, principalmente. Em relação ao combate ao crack, aliás, há uma recomendação do governador Agnelo Queiroz para que sejamos enérgicos com esse problema.

E por que o Entorno chegou nesta situação tão crítica e preocupante? 
O Entorno é compreendido por 22 cidades, sendo três mineiras e 19 goianas, e as de Goiás sempre foram abandonadas. Não estou dizendo que isso é um problema do atual governador do estado, Marconi Perillo, mas as gestões anteriores, até as do Distrito Federal, ignoraram a região. Somente agora, no governo de Agnelo Queiroz, foi dada a devida atenção à área, com a criação desta secretaria, que tem o papel de interlocução entre estados, autarquias e governo federal. Um exemplo desta interação: por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), tivemos reuniões com prefeitos e secretários municipais para ensinar sobre a agricultura familiar.

Outro exemplo: várias prefeituras não tinham servidores que pudessem fazer e acompanhar o andamento de projetos básicos, como saneamento ou construção de uma quadra, no governo federal. Mas esta secretaria, em parceria com a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), oferece a esses prefeitos toda a infraestrutura necessária na parte de pesquisa e acompanhamento no respectivo ministério. 
 
Dados do último Censo mostram que a taxa de crescimento do Entorno está próxima de 4%, um número considerado altíssimo, e a projeção é que em 2012 cheguem cerca de 200 mil novos moradores somente em Valparaíso, cidade que tem uma das maiores taxas de violência na região. Esses números não dificultam o trabalho? Onde tantas pessoas irão morar ou trabalhar?
É um número bem assustador, a taxa de crescimento é uma das maiores do mundo, mas não podemos desanimar. Hoje, as cidades do Entorno são verticais, crescem para cima. Mais especificamente para Valparaíso, temos um projeto em andamento que é a construção de dois viadutos, um no início e outro no final, além da duplicação da pista até Luziânia. Será um alívio para o morador.

Mas, friso mais uma vez, esse problema de mobilidade só será resolvido com a implantação da via férrea. E não podemos esquecer efetivamente do Plano de Desenvolvimento do Entorno, que nos dará maior controle e autonomia para trabalhar.

E como o senhor vê o futuro desta secretaria?
Esta secretaria é transversal, depende de todas as outras. Propus ao governador Agnelo Queiroz a elaboração de um decreto em que pelo menos um servidor de cada secretaria trabalhe em conjunto com a nossa. Isso significa acompanhar o nosso trabalho, participar das reuniões, saber de todas as nossas ações para que possamos traçar estratégicas únicas, seja de Segurança, Educação, Saúde, Cultura, Desenvolvimento Econômico... Todas. Vamos nos ajudando. O Entorno não pode ser um problema em nenhum aspecto e as mudanças já estão começando.

Com informações da Agência Brasília para o site Redecol Brasil – Notícias com credibilidade!



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