Sobram vagas de empregos em Cristalina, porém faltam profissionais qualificados para ocupá-los

No ano passado foram gerados em Cristalina mais de 10 mil postos de trabalho com carteira assina, esse número poderia ser muito maior se houvesse mais profissionais qualificados no mercado local. Muitas empresas precisam ir atrás de funcionários em outras cidades e mesmo em outros estados porque aqui não encontram pessoas habilitadas a ocuparem os postos de trabalho. O município se desponta como um dos maiores polos agrícolas do país, possuindo um comércio forte e que cresce dia após dia, o resultado é uma crescente demanda por mão de obra qualificada.
 Mesmo com um comércio diversificado e a chegada de agroindústrias, não há em Cristalina escolas profissionalizantes como o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial ou SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, que oferecem cursos profissionalizantes para quem pretende atuar nas indústrias e também no comércio.

O Sebrae Goiás, constatou in loco essa deficiência do município de Cristalina, veja abaixo na íntegra a matéria publicada pelo órgão:

Situada a 280 quilômetros de Goiânia (GO), a cidade de Cristalina despontou no cenário nacional alavancada pela abundância de suas riquezas naturais. A região, reconhecida pela vocação para o garimpo, desenvolveu-se tendo como base a exploração dos recursos minerais.

Nesse novo momento, outros setores como o agroindustrial, comercial e de confecções tiveram o seu desempenho reconhecido, mas agora carecem de mão-de-obra especializada para ocupar os postos de trabalho existentes, como ilustra o empresário Arnaldo Aparecido dos Santos, à frente da Malharia e Confecções Kaly Agon.

A empresa, enquadrada na categoria de microempreendimento, possui infraestrutura adequada para ampliar sua participação no mercado, mas carece de profissionais especializados para evoluir nessa direção. “Temos capacidade para empregar 50 pessoas. Mas, hoje, trabalhamos com apenas 12 pessoas”, lamenta.

Para contornar a situação, o empresário buscou o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Goiás) para intermediar junto ao Senac o oferecimento de cursos de capacitação para seus profissionais. Com esse objetivo, investiu mais de R$ 6 mil e, após a realização dos cursos, viu apenas dois dos seus profissionais permanecerem na empresa. “Dos 25 empregados que participaram do curso, apenas dois continuaram conosco”, recorda.

A dificuldade também é encontrada na parte de manutenção do maquinário utilizado. “Temos que buscar técnicos a 250 quilômetros daqui para oferecer manutenção aos nossos maquinários”, evidencia. De acordo com a avaliação do empresário, a cidade não possui vocação para a confecção, portanto, é tão difícil encontrar mão-de-obra especializada e, ainda mais, interessada em se aprimorar no segmento.

Na contramão
Há cinco anos, a rede varejista Eletrozema, presente em cinco Estados brasileiros, com mais de 200 lojas, escolheu a cidade de Cristalina para abrigar mais um de seus empreendimentos. As dificuldades com relação a profissionais qualificados para atuar no comércio foram contornadas com investimentos maciços em treinamentos e cursos virtuais que fazem parte da política de capacitação da empresa.

“Uma de nossas prioridades é contratar profissional com experiência em vendas. Mas nem sempre isso é possível. Portanto, desenvolvemos uma política de treinamentos, cursos virtuais de capacitação e o acompanhamento de perto desses profissionais que estão ingressando pela primeira vez na área”, explica o gerente, Alan Vicente.

Devido a essa estrutura de capacitação interna, entre outras características, a Eletrozema foi eleita pelo nono ano consecutivo como sendo uma das 100 melhores empresas para se trabalhar, de acordo com o ranking anual da revista Exame.

Hoje, a empresa atua com seu quadro de empregados completo. “Ao contrário das outras empresas, conseguimos manter uma rotatividade pequena de trabalhadores. Mas temos ciência de que outras firmas sofrem com a escassez”, reafirma Alan.

Valorização profissional
O gerente do Escritório Regional do Sebrae no Entorno do Distrito Federal, Masashi Hiroshima, concorda que a falta de mão-de-obra especializada na região é uma constante observada pelo empresariado em geral. A proximidade com Brasília e a disponibilidade de altos salários oferecidos na capital nacional contam como fator de forte concorrência entre a mão-de-obra disponível. “É muito comum o trabalhador se especializar em uma cidade do Entorno e daí partir para Brasília em busca de um salário melhor. Um caso muito recorrente na região e que atinge a maioria dos empresários locais”, explica Masashi.

Na tentativa de amenizar esse problema, o Sebrae tem procurado focar no desenvolvimento de programas de capacitação, como o Programa Sebrae de Gestão da Qualidade, que tem como objetivo estimular o envolvimento do empregado com o seu local de trabalho. “O colaborador tem que levar em consideração o ambiente no qual trabalha e a boa interação mantida com seu patrão e colegas, mas muitas vezes o que conta mais na hora de optar por outro emprego são os salários vantajosos”, pondera.
Outra forma de encarar a situação na busca por uma solução é incentivar o empresário a valorizar a sua equipe. “Também tentamos despertar no empresário a visão macro de negócios, na qual o lucro não deve ser a prioridade, mas a valorização daqueles que o possibilita crescer e gerar receitas”, conclui.

Informações: Regional do Sebrae no Entorno do Distrito Federal: (61) 3621-1030

Foto: Sílvio Simões


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